terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

15 anos – A doença está se espalhando


Sinal


Acho que tenho perdido peso ultimamente.

Será que é porque eu deixo de comer por causa do monte de tarefas de casa e do projeto de ciências?

Não consigo me concentrar, por isso me preocupo.

Eu me culpo, mas parece não haver nenhum progresso.

Minha energia continua a ser drenada, mesmo assim.

Eu quero ganhar um pouco mais de peso.

A partir de amanhã, eu preciso agir mais de acordo com o plano que eu escrevi antes.


Hoje estava chuviscando. Andar até a escola carregando uma bolsa pesada e, para piorar, um guarda-chuva, é um saco.

Enquanto eu tinha esses pensamentos negativos em mente, meus joelhos enfraqueceram e eu caí num caminho estreito mais ou menos a 100 metros de casa.

Eu machuquei feio o meu queixo. Quando eu passei suavemente minha mão pelo meu queixo, senti o sangue pegajoso cobrindo-a. Apanhei minha bolsa e meu guarda-chuva, dei a volta e fui para casa. Minha mãe saiu de dentro dizendo “Você esqueceu alguma coisa? É melhor se apressar ou vai chegar atrasada”.

“O que aconteceu?”.


Nenhuma palavra saiu da minha boca e tudo o que consegui fazer foi chorar.

Minha mãe pegou rapidamente uma toalha e limpou meu rosto, que estava coberto de sangue. Eu senti a terra arranhando a ferida.

Ela disse, “Nós vamos ter que ir ao médico”, e num instante me ajudou a trocar minha roupa por outras, limpas, colocou um band-aid no corte e entrou no carro.

Eu levei 2 pontos, sem tomar analgésicos.

Eu cerrei os dentes e suportei a dor, porque foi minha culpa por ser tão desajeitada.


Mas, mais que isso... Me desculpe, mãe, por fazer você faltar o emprego hoje. Eu pensei comigo mesma que talvez minhas mãos não me ajudaram quando caí, porque sou meio lenta... enquanto olhava meu queixo dolorido no espelho. Mas estou satisfeita que foi embaixo do queixo. Meu futuro seria sombrio se ficasse uma cicatriz num lugar onde as pessoas pudessem ver.

Minhas notas em Educação Física:

7ª série = B

8ª série = C

9ª série = D


Estou tão frustrada! Acho que preciso me esforçar mais.

Eu esperava que o treinamento que eu fiz durante as férias de verão ajudaria um pouco, mas acho que não ajudou.

Bem, eu suponho que seja porque eu não o tenha continuado por tempo suficiente (a voz das sombras = Exatamente!).

Pela manhã, na cozinha - onde uma brisa leve perpassava a janela com a cortina de rendas amarelas -, eu chorei.

“Por que eu sou a única que não é atlética?”.

Hoje, haverá um teste na trave olímpica.


Minha mãe cobriu seus olhos e disse: “Mas Aya, não tem problema porque você é inteligente. Você pode escolher qualquer assunto que goste e seguir carreira nele no futuro. Você é boa em Inglês, então você poderia se aperfeiçoar nisso. Inglês é uma língua internacional, tenho certeza que será proveitoso. Então, não se preocupe se você tirar um D em Educação Física...”.

Eu parei de chorar. Restava alguma coisa para mim.

Eu não deveria ser tão chorona.


Meu corpo não se move do jeito que eu quero. Seria a preocupação por ter deixado de fazer meus deveres, que eu consigo terminar em 5 horas todos os dias. Não, não é isso, alguma coisa no meu corpo está começando a se desestruturar. Estou com medo!

Sinto que meu coração parece estar sendo apertado. Eu quero me exercitar. Quero correr. Quero estudar. Quero escrever assiduamente.


“Namida no Toka-ta (A tocata da lágrima)” é uma canção tão boa. Caí de amores por ela. Quando como ouvindo essa canção, o gosto da comida fica ainda mais delicioso.

Esta é uma discussão sobre minha irmãzinha:

Todo esse tempo, notei apenas o lado mau dela, mas comecei a pensar ser ela uma pessoa muito boa mesmo. A razão disso é que, quando caminhamos para a escola, meu irmãozinho me deixa para trás e segue no seu próprio ritmo, enquanto minha irmã caminha comigo. Mesmo quando atravessamos a ponte, ela carrega minha bolsa e diz: “Segure firme nas balaustradas”.

Lentamente, meu ânimo das férias de verão está se desvanecendo.


Depois de arrumar as coisas após o jantar, estava prestes a subir as escadas, e minha mãe disse: “Aya, venha sentar aqui”.

Ela parecia muito séria e eu estava ficando nervosa, pensando no por que eu iria ser punida.

“Aya, ultimamente, parece constantemente que seu corpo vai cair para frente, e você anda com muito pouca firmeza, oscilando de um lado a outro, você percebeu isso? Eu estive observando e estou preocupada. Vamos ver um médico”.

“Que hospital?” – perguntei.

“Deixe isso comigo. Procurarei um lugar digno de confiança.”


Minhas lágrimas começaram a cair incessantemente. Eu queria dizer “Muito obrigado, mãe, e me desculpe por deixá-la preocupada”, mas eu não consegui que nenhuma palavra saísse da minha boca. Eu pensei se era porque ficava acordada até tarde e comia em horários diferentes a causa dos meus modos desajeitados. Mas pensar que há alguma coisa errada comigo e por isso tenho que ver um médico, não me restou nada a fazer a não ser chorar. Meus olhos estão começando a doer por chorar tanto.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Atualização em breve!!!

Depois do gigantesco hiato, prometo atualizar em breve! Em breve quando!? Nos próximos dias!

Uma foto de Aya aos 15 anos:

terça-feira, 13 de maio de 2008

Capítulo I

14 anos - Minha família

Mary morreu...

Hoje é o meu aniversário. Eu cresci muito.
Acho que preciso agradecer à minha mãe e ao meu pai.
Eu preciso tirar notas bem melhores, e ser mais saudável, assim não irei deixá-los tristes. Para conseguir isso, eu quero que esse meu começo da juventude seja importante, sem nenhum arrependimento.

Eu vou acampar depois de amanhã. Precisso terminar meu dever de casa, então não vou ter que me preocupar com isso.
Vai! Vai! Aya!

Tigre, o cão feroz do vizinho, arrancou a cabeça de Mary, matando-a.
Mary, que era muito pequena, se aproximou do monstruoso Tigre, abanando amigavelmente a cauda.
Eu gritei com toda força, "Mary, não! Volte aqui!". Mas...
Mary deve estar frustrada... ela morreu sem ser capaz de dizer uma palavra. Se ela não tivesse nascido um cachorro, não teria morrido tão rápido. Mary, por favor, seja feliz em outro lugar!

A nova casa foi concluída.
O quartos grandes do lado direito do primeiro andar são os quartos meu e da minha irmã. O teto é branco. A parede é marrom cor de madeira. A vista da janela é diferente do normal. Estou feliz que vou ter meu próprio quarto, mas ele parece espaçoso demais, e solitário. Imagino se conseguirei dormir essa noite.

Começando bem calma!

1. Vou usar camisetas e calças (é mais fácil de se movimentar).
2. Tarefas para fazer todos os dias - regar a grama, tirar as ervas daninhas, ver se tem insetos atrás das folhas da horta de tomate que eu plantei. Verificar também as folhas de crisântemo atrás de baratas e, se eu achar alguma, dar conta dela na mesma hora.
3. Não enrolar na tarefa de casa.
4. E além disso, escrever no meu diário todos os dias.
Vou me certificar de que eu faça tudo isso.

Minha família

Meu pai, 41 anos. Às vezes ele perde a paciência, mas ele é legal.
Minha mãe, 40 anos. Eu a admiro muito, mas sua sinceridade incondicional me assusta.
Eu, 14 anos. No começo da adolescência. A idade com a qual é difícil lidar.
Se eu me definisse com uma palavra, seria 'chorona'. Sou cheia de emoções. Sou ingênua e facilmente me aborreço ou começo a rir.
Minha irmãzinha, 12 anos. Eu a vejo como uma rival, tanto na escola como na personalidade... embora eu tenha sido incomodada por ela, ultimamente.
Meu irmãozinho, 11 anos. Ele é bem danado... um pouco assustador. Ele é mais novo do que eu, mas às vezes se torna meu irmão mais velho. Ele também é como um pai para Koro (o cachorro).
Meu irmão mais novo, 10 anos. Ele tem uma imaginação e tanto, mas ele pode ser um pouco descuidado.
Minha irmã mais nova, 2 anos. Ela tem cabelo enrolado que herdou da minha mãe, e seu rosto é do papai ( especialmente seus olhos... é o que parece quando o relágio marca 8:20). Ela é muito bonita.

Apresentação

Kitou Aya é uma jovem estudante do ensino médio que descobre que tem uma doença incurável: degeneração espinocerebelar. As células do cerebelo e de outras partes do sistema nervoso morrem, causando a falha de coordenação, na velocidade, no alcance e precisão dos movimentos. Enquanto isso, sua consciência permanece normal, ou seja, o corpo acaba se tornando uma prisão.

Através das dificuldades, Aya encontra nas palavras a força que precisa para continuar a viver, apesar da doença. Suas palavras inspiraram milhões de pessoas a superarem seus próprios problemas.

Traduzirei o diário a partir da versão da kiwi, que por sua vez traduz diretamente da versão japonesa. Assim como ela, não sou um tradutor profissional, mas tentarei fazer o meu melhor para transmitir a história de Aya com a maior fidelidade possível.